quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Arte de Criar Leitores

Entre as vantagens de ser um leitor pode-se mencionar a habilidade de pensar logicamente; de analisar e resolver problemas; de falar e escrever claramente; de expressar melhor as questões; de persuadir e de pesquisar; de conhecer a si próprio. Mas isso é mesmo útil? Tudo depende do modo como a noção de “utilidade” é compreendida. Vivemos em uma época em que são privilegiadas as ações que provocam resultados imediatos para uma melhoria visível e concreta da vida humana. A leitura não produz nenhum benefício imediato, não serve para construir casas, barcos ou remédios, não torna a vida mais fácil. Parece, portanto, ser inútil. Entretanto, nem tudo que parece ser inútil é desnecessário. A arte, por exemplo, também não tem diretamente nenhuma função. Por outro lado, o que pode haver de mais valioso na vida do que a arte, mesmo sem nenhuma utilidade concreta?
A leitura tem em comum com a arte a característica de não gerar conhecimentos ou objetos capazes de favorecer imediatamente os interesses humanos. A importância da leitura e da arte é indireta, quase imperceptível; trata-se de modificar nosso olhar sobre o real, aprendendo a reconhecer que as coisas não foram antes do mesmo jeito que são agora e não precisam continuar a ser tal como têm sido até então. O leitor e o artista desconfiam do mundo tal como o conhecemos, preparando o terreno para a construção de outros mundos.