terça-feira, 28 de junho de 2011

O Brasil das afro-descendentes

 

Mulheres Negras do Brasil
Schuma Shumaher e Érico Vital Brazil
REDEH E SENAC EDITORAS, 496 PÁGINAS
(www.editorasenacsp.com.br)

Parafraseando Januário Garcia, militante do movimento negro: está na hora de admitirmos que há histórias das mulheres negras sem o Brasil, mas não há Brasil sem as mulheres negras. Mulheres Negras do Brasil é um belo compêndio de textos, imagens e documentos inéditos que narra desde as origens africanas até as batalhas contra o preconceito ainda travadas por afro-descendentes no século XXI. Não só Xica da Silva ou a escrava Anastácia fazem parte das personagens abordadas, mas também Luciana Lealdina de Araújo, educadora considerada a mãe preta de Pelotas no início do século XX; Aizita Nascimento, a primeira miss negra brasileira, e muitas outras mulheres que escrevem e escreveram uma história de luta e conquistas. Este livro denuncia um dado curioso: somente em 2007 surge uma obra que trata das afro-descendentes com beleza e profundidade. Homenagem mais do que merecida. (Nataraj Trinta)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

De grão em grão

 
Café. Um grão de história
Sérgio Túlio Caldas e Vito D’Alessio
DIALETO LATIN AMERICAN DOCUMENTARY, 120 PÁGINAS.
(www.dialeto.com)

Ele já foi considerado o motor de um dos ciclos da economia brasileira, já nomeou presidentes e ministros, já desmatou morros do interior fluminense e paulista. Senhoras e senhores, sua excelência, o café! Mas muitas águas rolaram por baixo da ponte antes que a frutinha vermelha chegasse a conquistar as mesas do mundo inteiro. O livro de Caldas e D’Alessio narra os principais capítulos desta longa e curiosa história. De seu nascimento nas montanhas da Etiópia até a difusão pelo Oriente Médio, onde recebe um nome (Coffea arabica) e o passaporte para a sucessiva penetração nos mercados europeus. E como, em 1727, “a rubiácea deixa a Guiana francesa para cruzar as fronteiras brasileiras”, contrabandeada pelo sargento Palheta. Aqui começa uma outra história: escrita por fazendeiros, sem dúvida alguma, mas também com o sangue e o suor de escravos e imigrantes, ambos um pouco esquecidos nas páginas do livro, que se apresenta ao leitor com uma rica documentação iconográfica. (Marcello Scarrone)