quinta-feira, 5 de maio de 2011

Entrevista sobre o mercado do Vinil

"E o disco mesmo tendo voltado a ser prensado ele jamais vai voltar a ser popular. Porque ele tem uma outra idéia, um outro conceito de fruição... Não é só a música que está imperando ali." Daniel Cunha

Confira a entrevista feita pela estudante Fernanda Spíndola aqui na Livraria do Trem com o Cesar Meirelles e o Daniel Cunha sobre o mercado de vendas de discos de vinil.

(Fernanda – entrevistadora)
Queria que vocês falassem um pouco desse comércio de vocês. O porque vocês começaram agora? O vinil está certo que voltou a ser produzido, mas o que motivou vocês, além de tu [César] já ser colecionador, a trabalhar com os discos?

(César – informante)
A necessidade é claro. Necessidade, dinheiro... [risos]

(Daniel – informante)
A idéia da Livraria, do Sebo, é a de resgatar uma série de coisas. Eu, por exemplo, e no caso o Júlio também, somos apaixonados por livrarias e sebos já há muito tempo. Desde a nossa adolescência (nós nos conhecemos desde a infância) e sempre freqüentamos estes espaços, espaços estes que geralmente são tidos como alternativos.
Então, a partir dessa vontade de encontrar um espaço que atendesse as nossas necessidades, pensamos: porque não montar um espaço para atender aos colecionadores? Daí a Livraria do Trem foi criada. Primeiro com o conceito dos livros e, aos poucos, começamos a adquirir LP’s sempre com aquela vontade de trabalhar com o disco de vinil. O Júlio [César] já é colecionador há bastante tempo, desde sempre na verdade. Então, hoje ele tem um acervo com um número elevado de peças raras, discos que tem 300 cópias no mundo inteiro. Um material realmente difícil de “juntar”. Não sei, tu deves estar com quase 3 mil discos hoje?

(César – informante)
Por aí, por aí...

(Daniel – informante)
Então essa parceria que estamos fazendo (eu e o Júlio) acarreta todo um conhecimento da área do disco, desde a produção até ao ato de colecionar, enfim. O Júlio além de colecionador é músico também. O resultado era obvio - entrei em contato com ele e disse: vamos trabalhar juntos, vamos agregar essa história com os discos que tu tens. O mercado existe, está aí, apesar da dita “morte do vinil”, que parou de ser produzido aqui no Brasil e agora retomaram. O comércio de discos nunca parou realmente. Estatísticas dizem que hoje se vende um disco a cada dez segundos na internet, isso só no eBay, desconsiderando outros sites como o Mercado Livre e outros sites próprios que comercializam discos no Brasil e no mundo. Então nós começamos a trabalhar com o vinil aqui na Livraria do Trem. E temos a pretensão de trabalhar de uma forma bem qualificada, com conhecimento do produto, com o devido respeito e cuidado que a mídia e seus usuários merecem. Foi assim que nos juntamos e aqui estamos hoje, trabalhando agora a praticamente 7 ou 8 meses com discos.